AS OBRAS

 

 

  Uma casa inacabada, poucas árvores e muito capim foi tudo o que encontrámos no lugar a que chamam Pangala.  Era ali que iríamos permanecer durante, aproximadamente, um ano.

 

   Os oficiais, naturalmente, ocuparam a casa. Para os sargentos foi montada uma tenda de pronto socorros. Os soldados armaram as suas tendas. E assim ficamos alojados. Mas, um ano naquelas condições seria quase impossível. Havia que fazer alguma coisa para tornar a vida menos difícil.

  O sargento Lino, creio que na vida civil era desenhador, tomou em mãos o plano. Feito o projecto, passou-se à execução. Vários soldados eram pedreiros na vida civil. Eram esses que assumiam a construção ajudados por todos os outros. O acampamento transformou-se num enorme estaleiro. As paredes iriam ser construídas em blocos feitos com terra e água, pré-executados. Mandaram-se vir chapas de zinco para o telhado. Aproveitaram-se as árvores existentes no local para as armações. Para o chão, foram-se buscar tijolos burros que existiam em pequenos fornos que os habitantes locais faziam e que tinham sido abandonados. Menos de cinco meses depois tínhamos um quartel construído. Uma cozinha com dispensa, uma caserna com dois banhos, para cada pelotão, a casa dos sargentos com um quarto para cada quatro, um banho e uma sala de jantar. Não tinham janelas apenas as entradas sem portas e algumas frestas para o exterior.

 

                                      acabamentos na "casa dos sargentos

 

 

 

Era um luxo para aquelas paragens. Depois, com tempo, foi-se procedendo a melhoramentos. Foi um esforço enorme, tendo em conta que tudo foi feito sem prejuízo da parte operacional. Patrulhas, emboscadas e saídas aos reabastecimentos e correio em que TODOS participavam, foram sempre executadas. Ainda se arranjou na frente da casa dos oficiais um pequeno jardim em círculo onde no meio se implantou o mastro para a bandeira.

  Foram estas instalações que a tropa que nos rendeu encontrou. Sorte a deles…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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  Miranda

 

 

 

 

 

publicado por gatobranco às 17:08 | link do post | comentar