Na MUXIMA A. Ribau Teixeira

                                         OH   MUXIMA

 

Os tempos do “Norte” acabaram. As seguranças às colunas de 

 reabastecimento tambem. Com essas operações ficámos a conhecer muitas

 terras dos Dembos: - Nambuangongo, Quipedro, São José de  Encoje,

Vista Alegre…

 

Agora, aqui na Muxima a fazer lembrar o Duo “Ouro Negro” é um descanço,

com o rio Quanza mesmo aqui ao lado, um rio tenebroso, de grande

caudal e profundidade. Tinha chovido há dois dias para o lado da sua

nascente. A barragem de Cambembe que fica para nascente da Muxima

teve de fazer uma descarga de segurança. O rio subiu mais de um metro.

 

Eu estava com o enfermeiro civil no Cais de Desembarque, quando noto uma cena que ainda hoje me não esquece: - Rio abaixo vinha uma ilhota com um coqueiro e uma cubata! Chamei a atenção do enfermeiro que me informou ser natural.

Os pretos gostam de ter as suas habitações junto à água e de vez em quando, quando a chuva é muita, sofrem estes dissabores.

 

O tempo depois da chuvada tinha ficado quente. Resolvi ir até à caserna, um armazém cedido pela administração. Sempre era mais fresco.

Tirei a camisa que dependurei na barra da cama, e para ali fiquei naquela

modorra, olhos fechados saboreando o nada fazer.

Nisto ouço entrar na “caserna” a lavadeira, uma pretinha dos seus dezoito anos.

Olha em volta e não vê nenhum tropa. Entretanto chega um soldado

e pergunta-lhe se é ela que vem buscar a roupa para lavar, como a querer

meter conversa.

- Sou eu, os tropa disse que havia roupa para lavar!

- Está ali dentro diz o soldado. E leva a moça para o fundo da caserna. Puxo o “quico” para a frente dos olhos e fico curioso com a conversa do soldado, para a lavadeira.

- Olha, dou-te dez angolares!

Mau, pensei eu, aqui há mais do que roupa para lavar.

- Tá bem, então dou-te vinte escudo do “Puto”

Ela continuava a não estar convencida. Ele insistia:

- Vinte escudos é muito dinheiro, e vê que eu sou sargento…

Olho para o local onde tinha dependurado a minha camisa. Já não estava lá…

A moça irritada, diz:

 - No mataco não, nem que fora um Tinente.

Pega no braçado da roupa e sai caserna fora!

 

                                                                                      Ribau   Angola,64

publicado por gatobranco às 16:59 | link do post | comentar