O REBENTA

 

 

 

Promovido pelo Comando do Batalhão 357 a que pertencia a nossa Companhia (CCE 306), o Rebenta era uma publicação sem data certa para sair, que pretendia criar um espaço para os militares do Batalhão escreverem, numa tentativa de quebrar a sensação de isolamento que pesava sobre todos nós.

À nossa Companhia chegaram somente dois números. Se houve mais não tivemos conhecimento deles. Também não chegaram até nós as publicações de outros Batalhões.

Pangala ficava longe....

A capa -- a parte lateral da frente do aparelho que empurrado por uma viatura ia pisando o terreno na esperança de fazer rebentar qualquer mina posta no percurso -- com um toque de humor negro, fazia justiça ao nome. É que aquele aparato era conhecido entre nós por "rebenta"

 

 

 

 O conteúdo pretendia dar espaço às Companhias do Batalhão e inseria um ou outro texto mais sério.

 

 

 

 

 

 

 Neste texto ( que vão ter que ampliar) fala-se de uma das maiores sanzalas que existiam na nossa área, logo a seguir ao Lucage, a caminho de Pangala -- a Congo di Cati ou Congo dia Cati.

Ali fomos buscar alguns dos nossos "haveres".

O texto é interessante porque refere ter sido ali que nasceu o Quicongo, a língua mais falada no norte de Angola.

 

 

 

Esta é a folha dedicada à 306 e que foi assinada pelo soldado 1/63-A Fernando Ferrer que, a esta distância não consigo reconhecer.

 

Aqui ficam mais uns "farrapos" de memória daqueles anos tão distantes e, inevitavelmente, sempre presentes.

 

J. Eduardo Tendeiro

publicado por gatobranco às 11:04 | link do post | comentar