O SONHO

 

O SONHO

 

 

Estávamos na Muxima. Para quem vinha da Fronteira Norte era como se estivessemos numa estância de férias.

Acabado o almoço, uma bifalhada de cêfo, carne tenra e bem preparada, como era costume do Zé Cozinheiro, tomámos um café no “Hotel”. Tudo parecia correr bem. Dei uma volta pelo jardim. O bom almoço começou a deixar-me molengão. A temperatura era agradável. Digo aos meus colegas:

- Vou descansar um pouco. Vou até à caserna…

- Vai, que nós ficamos por aqui, dizem-me o Miranda e o Costa Pereira.

Ao entrar, verifiquei que a sentinela, “O Alvor” assim baptizado, por ser dessa terra e Algarvio de gema, estava sentado á entrada, e a cabeça de vez em quando, batia nos joelhos! Oh diabo: -Está com mais sorna do que eu. Vou pregar-lhe um susto… pensei, avançando resolutamente para a entrada.

Travo-me em qualquer coisa e vejo um pé do Alvor, levantar como se fosse dar um chuto uma bola!

Ele para não ser apanhado desprevenido, tinha amarrado um fio ao seu pé e do outro lado ao ferrolho do portão…

- Eh! Para já! Gritou…

Ao ver que era eu pediu-me desculpa, que a armadilha não era para mim!

- Não tens que pedir desculpa. Estavas no teu posto e cumpriste a tua obrigação!

Olhámos um para o outro e pusemo-nos a rir a bandeiras despregadas.

Quem nos visse naquele propósito pensaria que estávamos loucos.

- Se precisares de alguma coisa, avisa, que eu vou descansar um pouco.

Entrei e estendi-me na cama. Ainda estremeci umas duas vezes com o riso, ao recordar a cena.

Depois mais descansado adormeci…

 

               

 

  

Pois é meu menino. Reprovaste no exame de admissão ao liceu. Agora vais saber como elas te mordem. Vais aprender a comer o pão que o diabo amassou! Diz-lhe o pai.

 

O Toino nem sabia o que dizer. Ele que na quarta classe fora dos melhores alunos. Só ele e outro foram no exame, aprovados com distinção, e agora, passado um ano (esteve um ano sem fazer a admissão ao liceu, a conselho do professor, por ser muito novo), chumbou!

 

A ordem em casa era: - Chumbou, o estudo acabou…

 

Foi o que aconteceu ao Toino. Agora, com o pai marnoto, já sabia o que o esperava:

-Marinha. E nós, os filhos da casa sabíamos muito bem o que era o trabalho nas marinhas de sal pois, durante as férias grandes, sempre éramos “convidados”, a ir dar uma ajuda na marinha…

 

- Os que ficavam em casa a ajudar a mãe, que agricultava as suas terras, também tinham os seus trabalhos. Ainda agora o Toino se recorda que não eram autorizados a ir nadar no esteiro pequeno, sem primeiro desmantarem dois cabazes de espigas de milho…

 

Na marinha, o trabalho de rêr (juntar o sal dos meios para o tabuleiro), de encher as canastras, de as transportar para o monte no malhadal (que ficava num sítio alto, para que as águas da ria não o atingissem), sempre a correr, era muito pesado até para um homem. Para nós, malta nova era um suplício! E as férias eram grandes…

 

Agora o trabalho do Toino seria o de moço do próprio pai, andando sempre com ele em todas as suas labutas. De verão era a marinha, no Outono a apanha do estrume para as camas do gado, que seria utilizado no Inverno, e no Inverno era a apanha do moliço, que serviria para adubar as terras, que depois seriam semeadas na primavera.

O Toino não sabia fazer nada disto. Nunca o tinha feito.

- Tu aprendes, diz-lhe o pai, que eu ensino-te. Aprendes e depressa. Se não “ é porrada e água à jarra”!

Eu sabia o significado daquela frase, o que não me deixava nada descansado! O meu corpo é que iria pagar, como se tivesse sido eu o culpado no chumbo na admissão ao liceu.

Havia ainda outra coisa terrível. Quando vínhamos da marinha, tínhamos de pegar nos bois, pô-los ao carro, e ir com eles buscar carradas de milho às terras, para no dia seguinte ser desmantado. Não havia sapatos para os pés, não havia qualquer protecção.

Os troços do milho eram duros e feriam-nos os pés, especialmente entre os dedos. No dia seguinte, na marinha, era uma desgraça pôr os pés naquela moira tão salgada. Só quem já sentiu tais dores, pode na verdade avaliar esse sofrimento!

Tanto valia pôr “pachos” (pedaços de pano embebidos em colódio) nessas feridas como não. Ia-se à farmácia, comprava-se o colódio, e antes de ir para a moira, enchiam-se os “poços” (buracos feitos na carne pelo sal e a moira), com o colódio, que se colava na carne, por algum tempo.

As canelas, que enfolavam com o bater do sal, eram protegidas com “encoiras” normalmente de borracha, e que iam do pé até ao joelho, sendo amarradas com fio. 

Tudo isto, quando se estavam a tirar resultados de muitos trabalhos anteriores, tais como a preparação da marinha, sua limpeza das lamas acumuladas durante o Inverno, preparação e arranjo das barachas (separações em madeira nas partes de baixo da marinha e que nas partes de cima eram em lama e alternadas com as canejas, também em lama e que era necessário anafar) para que quando viesse o calor elas não rachassem o que daria lugar à passagem de moira de uns meios para outros, o que era prejudicial, pois uns ficariam cheios de moira e outros vazios, o que não era conveniente.

 

E porque não era conveniente, isso tinha de ser evitado…

 

A época da marinha começava normalmente por alturas da Páscoa.

Era pelo abrir da bomba de tubo que tudo começava. Ia-se escoando a água da marinha, ao mesmo tempo que se ia apanhando algum moliço que existisse, começando pelos algibés, a parte mais alta e que primeiro secava. Depois reforçavam-se as barachas com a lama existente junto das mesmas, que era anafada enquanto se encontrava ainda mole, o que facilitava este serviço.

Este serviço era repetido à medida que as diversas partes da marinha, iam ficando secas,

- Algibés

- Talhos

- Sobrecabeceiras

- Cabeceiras

- Marinha Nova (parte de cima)

- Marinha Nova (Parte de baixo)

- Marinha Velha (Parte de cima)

- Marinha Velha (Parte de baixo)

Todas as lamas eram arrastadas andaina (parte de cima+parte de baixo), a andaina até serem depositadas no intervalo, onde eram deixadas a endurecer.

Endurecida, era baldeada à pá para a malhada, onde ficava a secar.

Seca, era novamente baldeada agora para o malhadal para aumentar a sua altura e evitar que as marés vivas entrassem nas marinhas, servindo também para aumentar a altura das eiras do sal, protegendo-o também das águas das marés vivas.

A baldeação das lamas para o malhadal era normalmente feita quando havia tempo de chuva, que não permitisse que se trabalhasse na marinha.

Assim quando nós víamos tempo de chuva, logo pensávamos: -Hoje vou dormir um bocado na tarimba. Puro engana. Logo vinha a ordem para os moços:

- Não está tempo de trabalhar na marinha. Peguem nas pás e vão baldear mais um bocado de malhada até o tempo estiar…

 

Quando a lama era muita – o Inverno tinha sido muito pesado – e não era possível arrasta-la até ao intervalo, por as almajarras (arrastadeiras com cerca de dois metros de largura, que tinham de ser manejadas pelo menos por dois homens) se tornarem muito pesadas com a quantidade de lama, esta era deixada a secar nas partes de cima da marinha. Depois de seca era tirada, em canastras, para o malhadal.

Se os marnotos tinham posses, era falado (contratado) pessoal extra que vinha ajudar a transportar essas lamas.

Depois de tiradas as lamas, estava a marinha “limpa”, e iniciava-se o tratamento das praias das partes de baixo, que eram sêcas até que ficassem duras, o que levava o seu tempo, dependendo do vento, da temperatura e do sol que fizesse.

Com a praia com a dureza necessária, e isso dependia do marnoto (um verdadeiro técnico), era pisada com um círcio – objecto feito de um toro de pinheiro, com uns quarenta centímetros de diâmetro e cerca de um metro de comprimento – era pesado e tinha de cada lado um eixo, onde se aplicavam as “maueiras” que serviam para puxar e empurrar o círcio, que ia e vinha do tabuleiro do meio até ao tabuleiro do sal em movimento contínuo.

Era meio-dia a passear para baixo e para cima, até que todos os meios estivessem círciados. Só as partes de baixo onde iria ser colhido o sal, levavam este tratamento, que era dado com a praia quente, para evitar que a lama se colasse ao círcio.

Era uma praia que tinha de ficar lisa e nivelada para que a moira ficasse com a mesma altura em todos os lados do “meio”, o que aumentava a produção de sal.

Para que cada meio ficasse devidamente nivelado, era “arreada” (passada) a água que se encontrava nas partes de cima para as partes de baixo. Essa água servia de nível.

Onde se encontrasse um cabeço era rapado com um rasoilo, (rasoila pequena com cerca de vinte centímetros, com o dente protegido por chapa zincada) e essa lama era retirada para o malhadal. Era um serviço moroso, e de paciência para que ficasse bem feito e sempre vigiado pelo marnoto!

Findo este serviço a água que tinha estado nas partes de baixo foi apurando o grau de salinidade, e era aproveitada, sendo ugalhada – (atirada com um galho) para a parte de cima, onde continuava a apurar.

Nas partes de baixo continuava o serviço de preparação do terreno dos meios. Seriam essas superfícies onde se iria colher o sal, pelo que teriam de estar bem niveladas e limpas.

 

Um dia destes, quando o tempo o permitir e a marinha estiver pronta, será destinado o dia da “botadela”. Normalmente será a um domingo. O marnoto dará um almoço, que será feito e servido na própria marinha, para o qual convidará os amigos. Para a comezaina e para ajudar na botadela que é um trabalho muito duro!

O tempo continuou propício, os dias foram de calor desde o nascer ao pôr-do-sol. Aproximava-se o dia da botadela. O anúncio foi feito:

 

 - Será no próximo domingo…

 

A areia já estava pronta havia uns dias. Tinha sido trazida do Bico do Muranzel, por barco saleiro, e descarregada em três pontos do malhadal, (os areeiros) de modo a ficar o mais próximo dos meios, para onde depois seria transportada.

Era uma areia miudinha e amarelada, muito limpa, como convinha.

No sábado anterior à botadela, na casa do marnoto era uma azáfama com o preparar dos componentes para o almoço da botadela. Eram as panelas, as batatas, as cebolas, e o inevitável bacalhau. O almoço era sempre batatas com bacalhau, por ser o mais fácil de confeccionar, no dizer do marnoto.

Nunca eram convidadas mulheres ou raparigas para a botadela, ainda hoje estou para saber porquê! O serviço era muito pesado, mas, pelo menos, poderiam ser elas a confeccionar a refeição…

 

Chegou o sábado à tardinha e apareceram-nos em casa os convidados:

- Então amanhã a que horas é?

- Amanhã vamos à missa da manhã, vocês passam pela minha casa para ajudar a levar as panelas. A bateira está ao pé da seca do Egas. É lá que a gente embarca. Quem não estiver a horas, fica em terra… diz o marnoto.

E assim foi. Tudo como o combinado. O sol estava esplendoroso, nem uma nuvem no céu como convinha num dia de botadela. O pessoal embarcou, sentando-se na borda da bateira. Os moços pegaram nos remos preparando-os para remar. Dois dos convidados mais mexidos quiseram ajudar a remar e sentaram-se nos devidos lugares.

Foi retirado o cadeado que prendia a bateira ao moirão, e com um pequeno empurrão esta afastou-se de terra. Saímos do esteiro e entrámos na cale. Era necessário cuidado, pois ao domingo toda a gente ia à missa da manhã (o pessoal trabalha ao domingo) e a saída para as marinhas era à mesma hora para todos. Eram centenas de embarcações que se iam espalhando por aquela ria.

Eh, pá, olha! Diz um dos convidados levantando-se e apontando na direcção norte para onde se dirigia o maior número de embarcações. A bateira abanou violentamente.

 

Senta-te, gritou o marnoto que ia ao leme. Ainda botas a bateira ao fundo!

 

O espectáculo era, para quem não o conhecesse, de pasmar. Dezenas e dezenas de bateiras saídas ao mesmo tempo do ancoradouro, tentando adiantar-se umas às outras, em verdadeira competição.

Não admira que na altura o “Clube dos Galitos de Aveiro” fosse durante uma série de anos Campeão Nacional, de remo.(Enquanto houve marnotos para remar).

 

Com o pessoal todo sentado lá seguimos viajem, até que chegámos à “Ilha do Robocho” (Ilha de Sama”)

Aí as bateiras dividiam-se. Umas iam para a “Cale do Oiro” onde o Ti Zé Rito amanhava uma marinha, outras seguiam em frente para as “Leitoas”, marinha amanhada pelo Ti Manuel da Branca, outras ainda seguiam para o Esteiro de Sama, onde se situava a marinha que íamos “botar a sal”.

Cruzamo-nos neste esteiro com o Firmino Piaca, acompanhado pelos seus dois filhos, - eram cagareus - e eram dos melhores remadores do “Galitos”, que se dirigiam para a marinha que amanhava, mais a Norte.

 

 

O sol começava a aquecer. Os remadores já suavam. Chegamos finalmente à Ilha do Robocho, virámos a estibordo, seguimos mais um pouco e chegámos ao nosso destino: -A marinha, conhecida por Novazinha das Canas ou pelo seu nome oficial “Novazinha de Sama”.

Espetámos uma vara, amarrámos a bateira, cada um levou ao ombro a sua carga, e lá fomos pelos machos abaixo, deixando tudo junto ao palheiro.

Agora ia começar a botadela.

Cada um pega na sua canastra, e toca de acarretar a areia dos areeiros para os meios. Os moços mais velhos iam dizendo qual a quantidade necessária para cada meio, ao mesmo tempo que, com uma pá grande, chamada pá de arear, iam espelhando a areia, que tinha de ficar com uma espessura tanto quanto possível igual.

Para que isso acontecesse usavam uma técnica especial. Enchiam a pá de areia, e enquanto a espalhavam, a pá era progressivamente voltada ao contrário, de modo a que, quando acabava a areia a pá estava de pernas para o ar. 

 

     

 

 

 

 Findo este trabalho, o moço mais velho que era habilidoso a cozinhar, foi tratar da bacalhoada, enquanto eram ultimados outros serviços.

Aproximava-se o meio-dia velho, hora de mais calor, altura em que se deveria abrir o tabuleiro do meio, dando passagem à água das partes de cima, para as partes de baixo, onde se iria formar o sal.

Era um trabalho altamente especializado, que ficava a cargo do marnoto. Era executado com a pá de tabuleiro, uma pá em forma de cunha, que abria uma pequena passagem no portal existente no tabuleiro de meio. Dessa passagem dependia que a marinha “pegasse” bem, isto é, começasse a fazer sal logo no dia seguinte, ou não. Era uma greta pequena, que permitia a passagem de uma pequena quantidade de água, que vagarosamente se ia espalhando pela areia do meio.

Este serviço tinha de ser executado em todos os meios, um a um. Era um trabalho moroso, numa marinha que tinha cerca de cerca de cento e cinquenta meios.

Quando todas as passagens estivessem abertas, era dada uma volta mais rápida pelos tabuleiros, aqui abre mais um pouco este, que a parte de baixo ainda tinha pouca moira, mais alem aperta um pouco a passagem com a pá, e apertando a lama com o pé, que o meio já quase tinha a moira suficiente…

 

Quando a água passava das partes de cima para as de baixo (depois da botadela) era-lhe dado o nome de moira.

 

Agora, enquanto o tabuleiro era amanhado, o pessoal aproveitava para almoçar.

A comida era despejada do panelão, numa travessa grande, e todo o pessoal comia dessa travessa. Cada um pegava no seu garfo, partia um pedaço de boroa e toca a comer, que a manhã tinha sido de muito trabalho e tinha puxado pelo corpo…

No final da refeição, aquele que não estivesse satisfeito, pegava num bocado do miolo da boroa que tivesse sobrado, e fazia migas no resto do caldo da bacalhoada. Era saboroso. Mas, azar! Não tínhamos trazido colheres. Só uma colher grande de pau, que serviu para mexer a comida enquanto era cozinhada, e para prová-la, para saber se estava bem temperada. Não faz mal.

-Come um de cada vez e anda à roda, foi o alvitre!

 Assim fizemos, e não constou que alguém tenha adoecido!

Tinha acabado a botadela. Agora havia que amanhar a marinha (meter água nas zonas que haviam ficado em seco), serviço este que passaria a ter de ser feito todos os dias.

Foram fechados todos os portais dos tabuleiros do meio.

Foram abertos os furos com um moiradoiro que permitiam a passagem da água das canejas, para as partes de cima.

A ligeira aragem que se fazia sentir e mexia a água que ia entrando, era a indicação da quantidade de água necessária. Nestes casos a prática é tudo!

 

Assim, foram "amanhados" (repostos os níveis de água) -nas sobre-cabeceiras, nos talhos e nos algibeses ficando a marinha amanhada para o dia seguinte.

Nestes não eram abertos furos. Em cada um havia uma pequena bomba, que era aberta para a passagem das águas, levantando-se as palmetas.

 

E assim se passou o dia da botadela. Eram cinco horas da tarde, de um domingo qualquer, de um mês de Julho de um ano qualquer…

Toca a arrumar as alfaias no palheiro, o moço mais novo com a jarra da água, agora vazia, ao ombro, e bota p´ra bateira, de regresso a casa. Içava-se a vela, que o norte era fresco, e aí vínhamos nós!

Chegados à seca do Egas, amarrava-se a bateira ao moirão com o cadeado. Só agora estava terminado o dia. Salta para terra…

 

Estava terminado o domingo, dia de trabalho. E porque era domingo, nesse dia não haveria trabalho na terra.

 

 

                                                      ******

 

 

Agora, por cerca de três meses, será sempre, todos os dias, uma repetição do que se fará a partir de amanhã, terça-feira.

 

Hoje, segunda-feira, o tempo continua bom, com sol. A marinha “pegará macia”, o que quer dizer que o primeiro sal a ser colhido, será de “pedra” fina.

 

Logo que a moira aqueceu, o marnoto e o moço mais velho, pessoas experientes, pegam nos galhos e vão “bulir” (mexer) a moira, misturando-a, para que toda aqueça ao mesmo tempo.

Quando o tempo se mantém sereno, sem vento, esta operação tem de ser repetida, à tarde, agora não para misturar a moira, mas para quebrar as “peles”, que, por falta de vento, se acumularam à superfície.

“Peles”, é uma camada finíssima de sal que se forma à superfície, quasi como farinha, e que serve para temperar as saladas.

Autorizados pelo marnoto, os moços mais novos aproveitavam esse sal, que depois vendiam a quem lho encomendava.

- …"

- Oh Ribau…

- Que há, perguntei…acordando estremunhado

- Estás aí há uma série de horas, a dormir, e daqui a pouco são horas e Jantar, diz o Miranda. Toca a levantar!

- Já vou…

Acabei por acordar completamente. Sentei-me na cama a pensar, tentando conciliar o sonho com a realidade.

 

Afinal tinha estado a sonhar com a mocidade, mas com tantos pormenores, que me parece ter estado a viver aqueles momentos!

 

 

Ângelo Ribau

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por gatobranco às 16:39 | link do post | comentar