O ATAQUE (Relato de M. Miranda )

 

                           o ataque

ESTÁVAMOS EM PANGALA. FOMOS INFORMADOS QUE O PILOTO DA AVIONETA QUE SERVIA O BATALHÃO HAVIA AVISTADO,DURANTE O PERCURSO QUE LIGAVA CUIMBA A S.SALVADOR, UM AQUARTELAMENTOINIMIGO NO INTERIOR DUMA MATA SITUADA NA NOSSA ZONA DE INTERVENÇÃO. AS INFORMAÇÕES NÃO IAM ALÉM DISTO.

O 3º PELOTÃOFOI INCUMBIDO DE O PROCURAR E DESTRUÍ-LO.DURANTE DOIS DIAS PERCORREMOS A ZONA JUNTO AO RIO ONDE AS MATAS RAM MAIS FECHADAS E NOS PARECIA MAIS PROVÁVEL A SUA INSTALAÇÃO. NADA FOI ENCONTRADO. REGRESSÁVAMOS CANSADÍSSIMOS E DESANIMADOS POR NADA JUSTIFICAR TANTO ESFORÇO. 

NAQUE DIA (MAIS UMA VEZ) PARTIMOS ,CORTA MATO,  DE MANHÃ BEM CEDO. A MISSÃO ERA A MESMA  -ENCONTRAR E DESTRUIR O AQUARTELAMENTO INIMIGO.  DESCONHECÍAMOS SE ESTAVA OU NÃO OCUPADO E QUANTOS SERIAM.  AO FIM DE UMAS DUAS HORAS DE MARCHA PARÁMOS PARA DESCANSAR.  ESTÁVAMOS NA ORLA DUMA PEQUENA MATA E, COMO ERA HABITUAL, ENTRÁMOS UM POUCO DENTRO DELA COM A INTENÇÃO DE ENCONTRAR ALGUNS FRUTOS. FOMOS FELIZES POIS ENCONTRÁMOS VÁRIOS ANANAZES QUE ESTAVAM  RAZOAVELMENTE MADUROS; PELA PRIMEIRA VEZ  COMI AQUELE FRUTO QUE ACHEI DELICIOSO.  RETOMÁMOS A MARCHA SEGUINDO PELA ENCOSTA. NAQUELA ALTURA O CAPIM ESTAVA QUEIMADO MAS FICAVAM SEMPRE UMAS VARAS QUE DIFICULTAVAM UM POUCO MAIS O ANDAMENTO  .  AO CIMO DO MONTE QUE SE ENCONTRAVA NA NOSSA FRENTE, AVISTAVA-SE UMA MATA; ERA PARA LÁ QUE NOS DIRIGÍAMOS.  ERA UM VALE BASTANTE LARGO QUE NOS SEPARAVA DA ENCOSTA QUE TÍNHAMOS DE SUBIR. PERCORRIDOS ALGUNS  metros OS HOMENS DA FRENTE PARAM E DIZEM – NÃO SE PODE PASSAR – ESTAVAMOS PERANTE  UM PÂNTANO. E AGORA?  CONTORNA-LO LEVARIA MUITO TEMPO E DECIDIMOS ATRAVESSA-LO.  TÍNHAMOS QUE SEGUIR EM FILA INDIANA E PROCURAR POUSAR O PÉ NOS TUFOS DE ERVAS QUE ERAM MAIS FIRMES. COM ALGUMAS ESCORREGADELAS E ALGUNS DE NÓS ENCHARCADOS, ATRAVESSAMOS.  SUBIR A ENCOSTA ATRAVÉS  DO CAPIM FOI UM SACRIFÍCIO.   FINALMENTE,  ESTAVAMOS À ENTRADA DA MATA. PARAMOS PARA  DESCANÇAR. POUC TEMPO DEPOIS ENTRAMOS MATA DENTRO.  NÃO SE OUVIA O MÍNIMO BARULHO.  FINALMENTE, UNS CINQUENTA  METROS À FRENTE, ESTAVA LÁ.  ERA O TAL QUARTEL QUE TANTO PROCURÁMOS.  DECIDIDOS, AVANÇÁMOS ESPALHADOS NUMA FRENTE TOMANDO PRECAUÇÕES PARA NÃO ATIRARMOS UNS CONTRA OS OUTROS, SÓ FARÍAMOS FOGO SE TIVESSEMOS A CERTEZA SOBRE QUEM  ATIRÁVAMOS.  . NÃO HOUVE  QUALQUER REACÇÃO.  ENTRAMOS SEM NINGUEM A RECEBER-NOS.  TINHA SIDO  ABANDONADO.  ERA REALMENTE UM QUARTEL. CONSTRUIDO EM QUADRADO COM  TRES EDIFÍCIOS COM O INTERIOR AMPLO QUE SERIAM AS CASERNAS E  O DA ENTRADA COM DIVISÕES, NATURALMENTE O DO COMANDO.  O MASTRO DA BANDEIRA ESTAVA COLOCADO NO MEIO DUMA EsTRELA ORLADA COM PAUS E AS INICIAIS  U  P  A.  AS PAREDES DE ADOBOS DE TERRA E A COBERTURA EM CAPIM.   FOI TUDO DESTRUÍDO  COM O FOGO QUE LHE CHEGÁMOS.  AS MUITAS BALAS QUE SE ENCONTRAVAM ESCONDIDAS NO CAPIM, AO ESTOIRAREM COM O FOGO PARECIAM ABRILHANTAR A FESTA DA CONQUISTA.

O TRABALHO AINDA NÃO ESTAVA COMPLETO, FALTAVA FAZER A BATIDA À MATA.    NUMA FRENTE RELATIVAMENTE PEQUENA, AVANÇÁMOS.  O SILÊNCIO ERA  TOTAL. DE REPENTE QUANDO JÁ  NÃO SE ESPERAVA, ACONTECEU O ATAQUE.; ERAM AOS MILHARES; ZUMBIAM POR TODOS OS LADOS. ATIRÁMO-NOS PARA O CHÃO, MAS, NEM ASSIM NOS LARGARAM.   AS ABELHAS ERAM  MUITO FEROZES

MÁRIO MIRANDA

 

publicado por gatobranco às 19:12 | link do post | comentar