A jangada

 

 

 

  O rio Quanza, próximo da foz, onde o atravessávamos vindos de Luanda para Cabo Ledo, ou em sentido inverso, era um lençol de água em movimento espectacular.
  Uma jangada rústica mas robusta, associada à perícia do barqueiro, proporcionava passagens tranquilas que davam para apreciar aquele espectáculo.
  Quando a travessia ocorria com a maré cheia, as águas eram mais lentas, quase não se sentia a corrente, mas se acontecia a viagem ter lugar com a baixa- mar, então a corrente era forte, marulhando nos bordos da jangada.
  Por vezes, depois de grandes chuvas, sucedia um espectáculo único: grandes massas de terreno, suportado pelas raízes de plantas, desprendiam-se das margens e constituíam verdadeiras ilhas flutuantes. Para nossa satisfação e preocupação do barqueiro, vimos um dia uma que trazia uma árvore de porte médio e que passou por nós, bem perto da jangada.
Mais tarde, conversando com militares destacados na Muxima, soubemos que eles também a tinham visto passar e que era uma das maiores que por ali se avistara.
 
     J. Eduardo Tendeiro   (Apontamentos da guerra)
publicado por gatobranco às 15:52 | link do post | comentar