Norte de Angola 1962 Nasce PANGALA (J.E.Tendeiro)

 

 

 

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Norte de Angola – Pangala – 1962
 
Quarenta anos passados, as recordações são difusas, imprecisas. Mas, uma fotografia, tem o condão de, pouco a pouco, fazer emergir recordações, pormenores esquecidos e de nos recolocar naquele tempo e naquele cenário.
 
 
Depois de encontrarmos a casa com telhado de zinco que nos servia de referência para a instalação do acampamento, foi necessário muito trabalho para dar um mínimo de conforto aos militares.
Assim, a par das patrulhas de reconhecimento e segurança que desde o primeiro dia foram realizadas, todo o pessoal disponível se dedicou a limpar o terreno para instalação do acampamento e também para garantir campos de tiro. O IN rondava por ali, embora oculto.
Limpo o terreno, e a foto documenta essa primeira fase, a casa de referência foi considerada instalações do Comando – comando operacional e administrativo – e aí os oficiais organizaram os seus dormitórios. Num pequeno corredor instalou-se a cantina que vendia produtos trazidos de S Salvador: bebidas, muita cerveja, tabaco, bolachas e pouco mais. Num dos extremos, num pequeno espaço, instalou-se a enfermaria.
Os sargentos “acomodaram-se” na tenda dos primeiros socorros, a enfermaria de campanha, instalada à direita da “casa do comando”. Os restantes militares tinham as suas tendas individuais e toscas barracas feitas com chapas de zinco, muitas delas recolhidas em duas sanzalas próximas – Pangala, a norte e Congo di Cati, a sul, a caminho de Cuimba, antes do rio Lucage.
Ultrapassada esta primeira fase de acomodação precária e criação de segurança, iniciou-se a construção do acampamento.
Delineado o projecto, tornavam-se necessários os materiais.
Iniciou-se o fabrico de adobes em formas toscas de madeira e procedeu-se à recolha de outros, muitos, nas sanzalas abandonadas.
Os atrelados das GMC e dos Unimog chegavam carregados e os mais hábeis “assentavam tijolo”. Ao fim de cada dia contemplávamos com orgulho mais uma parede levantada.
Das árvores abatidas fizeram-se estacas para suporte do arame farpado delimitando o perímetro do acampamento em construção e traves que serviriam depois para suporte dos telhados.
A primeira construção concluída, à esquerda da “casa do comando” – à direita na foto -- foi a “casa das transmissões ( posto de rádio, centro de mensagens e arrecadação de materiais). Inicialmente coberta com toscas chapas de zinco recuperadas, foi depois dotada com um belo telhado.
O posto de rádio e o centro de mensagens, contíguos, faziam entre si um ângulo de noventa graus e o sargento de transmissões, com a colaboração dos “seus” militares criou nesse espaço um “hall”de que todos se orgulhavam e que, em dias de chuva, permitia fazer transitar o serviço de um lugar para o outro sem que os papéis se molhassem.
 
 
 
 O "famoso" hall das transmissões
 
 
Também a arrecadação mereceu cuidados especiais de acabamento pois que aí seria instalado o “laboratório fotográfico de campanha” do Ribau, do qual viriam a sair a maior parte das fotografias que hoje nos trazem estas recordações. (…)
 
J. Eduardo Tendeiro
 
 
publicado por gatobranco às 15:14 | link do post | comentar