FÉRIAS NA MUXIMA

 

 

 

 

     Um pelotão
    em "férias"

 
Aos vinte e dois meses de comissão a CCE 306, finalmente, foi-se instalar a sul do rio Quanza.
Embora se encontrasse ainda na zona de intervenção norte, em cabo ledo, não havia perigo algum.
O 3º. Pelotão (repare-se que não era 1º. nem 4º.) foi “expulso” do aconchego da cª. e enviado mais para norte, para MUXIMA.
Muxima ficava a mais de 100 klm. de Cabo Ledo e a menos de 30, em linha recta, de Catete onde o perigo já era real. (pelas más relações do Capitão com o Alferes Miranda, dizia-se).
MUXIMA fica na margem esquerda do rio Quanza dentro da RESERVA DE CAÇA DA QUISSAMA. Havia um forte no ponto mais alto e a Igreja de Nossa Srª. Da Muxima junto ao rio. Tinha o “grande” Hotel Estrela da Muxima com a patroa a dirigir e dois empregados, um branco e um preto. Tinha um Administrador e um Cipaio. A casa do Administrador, que era a maior da cidade, estava isolada a meio da encosta. Tinha outras casas mais pequenas com algumas ocupadas pelos militares. A Igreja com o seu adro e um pequeno jardim ao lado podia-se considerar a “baixa” da cidade.
A nossa instalação foi logo que chegamos. Da segurança foram incumbidos os 1ºs. cabos, que o fizeram sempre sem o mínimo problema.
 Devido à distância a que nos encontrávamos da compª. apenas nos eram fornecidos os alimentos secos. A carne e o peixe devíamos procurar localmente.
Assim foi feito. Da carne encarregou-se o Alferes Miranda. Ia à caça com o Administrador, trazia o animal abatido e eu, com a ajuda de outros companheiros, transformava-o em bifes que todos comiam como e quantos quisessem.
 
O peixe foi-nos fornecido por um habitante local que, quando lhe perguntei para que queria o dinheiro, me disse que queria comprar uma mulher nova que tinha dezasseis anos. Como ele era um homem já com mais de cinquenta, perguntei-lhe se ela não era nova de mais para ele, respondeu-me, que as duas mulheres que já tinha estavam a ficar velhas como ele e que tinha de arranjar outra, nova, para trabalhar.
Logo que chegamos, apareceu-nos uma rapariga a oferecer-se para lavar a nossa roupa, por pouco dinheiro. Demos-lhe logo a roupa para lavar. Era rapariga preta, nada bonita de cara, com um corpo de gazela, sem ponta de gordura. Tinha umas pernas que chamavam logo a atenção de quem as vias, realçadas por uma saia curtinha que o traseiro não deixava encostar às pernas. Usava uma camisa, também curtinha, que os peitos levantados impediam de fechar o caminho até eles. (Um dia, estava sozinho no quarto, ela apareceu a buscar a roupa para lavar. Viu umas fotografias que tinha na cama e perguntou-me se podia pegar nelas para as ver. Disse-lhe que sim e convidei-a a sentar-se na beira da cama e ela sentou-se. Sento-me também ao lado dela e pousei a minha mão na sua coxa. Como ela não reagiu a mão subiu pela perna passou pela barriga entrou por baixo da camisa e foi encontrar as mamas e depois ao mamilos. Acariciei tudo durante algum tempo. Até que, fiz um pouco de força e ela caiu sobre a cama. Preparava-me para ir mais longe, quando ela se levantou, sem dizer nada, pegou na roupa e foi-se embora. Foi a única vez que toquei numa rapariga preta). Lavou-me sempre a roupa enquanto lá estivemos.
Começamos por fazer umas patrulhas pelas redondezas que, praticamente, era só floresta. A primeira patrulha que fiz foi por uma picada que devia ir dar à Barragem de Cambamba. Tínhamos percorrido pouco mais de 20 quilómetros quando notamos que o motor aquecia demasiado. Paramos para ver o que se passava e verificamos que não tinha ponta de óleo no cárter. Estava roto e não nos tinham avisado. Ao lado da picada havia uma pequena sanzala e estava um homem sentado à entrada duma cubata. Dirigi-me a ele e pedi-lhe para nos ajudar a retirar o carro do meio da picada, pois dois de nós já tinham ido a pé para a Muxima a pedir ajuda e os que ficaram não conseguiam empurrar o “Unimog” sozinhos. Ajudou-nos e conseguimos retirar o carro da picada. Os homens que foram em busca de auxílio, pelo caminho, encontraram o Alferes Miranda que vinha de “JJep”, trouxeram óleo e regressamos.
Na Muxima passava o tempo na margem do rio a pescar e a nadar. À noite íamos até ao BAR do hotel, conversávamos e bebíamos umas cervejas.
Um dia parou lá um barco onde vinham dois homens novos. Conversamos uns com os outros e soubemos que tinham uma fazenda junto ao rio vários Klm. a montante dali. Convidaram-nos a visita-los.
Certo dia fomos lá, a minha secção e outra, não me lembro qual. Era sempre mata até lá. Pelo meio atravessamos uma grande plantação de palmeiras onde trabalhavam vários homens, todos pretos. A meio da plantação deparou-se-nos um monte enorme de cascas no cimo do qual se via um barracão. Paramos e vimos descer de lá um homem que, se não fosse estar tão sujo, eu diria ser um gorila. Era um branco, o único branco que havia lá, com uma enorme barriga, o cabelo e a barba a muito tempo por cortar. Era ele quem dirigia a plantação, que pertencia a uma empresa cujos donos se encontravam no “puto”, e tratava da máquina que havia lá. Deixamos a plantação e prosseguimos a viagem, sempre através da mata. Chegamos. Uma grande porta em madeira que logo se abriu, dava para um grande pátio. Do lado direito ficava a casa, que tinha uma varanda, para onde os dois irmãos nos levaram. Havia outras, mais pequenas, do lado esquerdo que eu supus serem dos trabalhadores. Apresentaram-nos a uma irmã. Rapariga nova “cabrita” como eles. Ofereceram-nos de comer e umas cervejas. Acabada a visita, que durou pouco tempo pois tínhamos que regressar, partimos a caminho de Muxima.
O tempo ia passando. Pescar, tomar banho no rio, ir até ao BAR do hotel e de vez em quando dar um “passeio” poder-se-ia considerar umas autênticas férias.
Num sábado à noite, os pretos, rapazes e raparigas, organizaram um baile no adro da igreja. Não tinham qualquer instrumento de música, apenas cantavam as modas locais. Ao ouvir, os soldados dirigiram-se quase todos para lá. A dança consistia numa roda em que todos seguiam em fila ao compasso do merengue que cantavam. Os soldados procuraram logo integrarem-se na roda colocando-se cada um a traz duma rapariga. Tudo corria bem se não fosse encostar-se demasiado às raparigas. Tanto que elas sentiam bem o encosto deles no traseiro. Quem não estava a gostar nada eram os pretos. A situação estava a ficar explosiva. As raparigas, sentiram o problema, e afastaram-se deixando os soldados a dançar sozinhos. Ainda cantaram algumas cantigas do continente mas, como ninguém se interessou, acabou tudo.
Aproximadamente, 30 dias duraram as “férias”. Chegou nova ordem. MANDARAM-NOS (desta vez) PARA CATETE.
 
Miranda
 
 
          
publicado por gatobranco às 17:25 | link do post | comentar