C A T E T E

 

     A ESTADIA (CURTA) EM CATETE
 
Muxima era “bom” demais. O 3º. pelotão não podia ter a sorte de permanecer lá muito tempo. Era preciso um pelotão de “velhos” para reforçar, principalmente a confiança, das tropas “maçaricos” que se encontravam em Catete e, novamente saco às costas, toca a andar para lá.
 
Com vinte e quatro meses de comissão, estávamos em Catete.
Catete, era uma pequena cidade a setenta quilómetros de Luanda na estrada que ligava Luanda à cidade de Salazar. Era atravessada por uma longa rua que, partindo da estrada, nos levava na direcção da Estação Ferroviária.
Os sargentos e os soldados foram instalados num armazém, que ficava próximo da estrada, do lado direito da “avenida” que seguia para a estação.
Para festejar os vinte e quatro meses, que deveria representar o fim da comissão, assámos um cabrito e convidámos alguns oficiais e sargentos das outras unidades.
O primeiro reforço que a minha secção fez a um pelotão dos novos foi numa patrulha motorizada. Passámos por grandes plantações de algodão que luzia e já me parecia pronto para apanhar. Era um deserto, não de areia mas de algodão em rama, de que não se via o fim. A certa altura a estrada apresentava-se ladeada de árvores. No fim da alameda avistava-se um portal. Estava fechado e ninguém apareceu a abri-lo. Demos meia volta e regressámos a Catete. Alguém disse que naquela zona havia MABECOS que, como andavam sempre em bandos, eram muito perigosos para uma ou duas pessoas que se deslocassem a pé, se fossem apanhados seriam comidos por eles.
 De noite, tínhamos de controlar as viaturas que passavam na estrada principalmente as de carga, em especial o que transportavam. Deviam ser acompanhadas de uma guia, onde vinham todos os artigos declarados, e que tinha de estar assinada e carimbada pelo Administrador da terra donde provinham e que seriam depois controladas pelas autoridades quando fossem descarregadas. Uma noite, estava eu nesse serviço, mandei parar um carro que transportava diversos artigos, entre os quais sal. Quando pedi a guia, o homem, um comerciante branco, apresentou-me um livro de guias em branco, todas assinadas por um Administrador. Para espanto meu, disse que tinha a confiança do Sr. Administrador que, para facilitar, lhe assinava diversas guias em branco que ele depois preenchia quando carregasse e que se tinha esquecido de preencher aquela. Levei o caso ao Alferes que, pouco tempo depois me ordenou para deixar partir o homem. Não sei se foi por iniciativa dele ou se por ordem superior.
Uma tarde ouviu-se uma grande algazarra para os lados da estação. Fui até lá para saber o que se passava. Quando lá cheguei vi que eram duas mulheres que tinham andado à pancada. Perguntei: o que se passa? Disseram-me: são mulheres do mesmo homem e ele naquela semana devia dormir com uma delas mas foi dormir com a outra. Ciúmes...
 
Miranda
 
 
publicado por gatobranco às 18:44 | link do post | comentar