Segunda-feira, 18.01.10

FÉRIAS

 

 

 

 

Férias

 

A guerra, com o seu cortejo de horrores e misérias, cria amizades indeléveis, resistentes ao passar do tempo e às dificuldades da vida.

Também, em indivíduos carentes, receosos do dia de amanhã, gera ligações que noutros cenários seriam inviáveis – são os conhecidos amores de guerra.

 

O sócio maioritário de uma grande imobiliária elegera como seu consultor o advogado de sucesso que, em Angola, durante mais de dois anos partilhara com ele as agruras das “Terras do Norte”, no distante ano de 62.

Recebido sem cerimónia ou protocolo, o presidente da Imobiliária expôs os seus problemas e, enquanto o amigo tomava notas e as englobava em círculos, debruçou-se sobre a vasta secretária e apoderou-se de um cartucho de uma metralhadora antiaérea que, esventrado do seu conteúdo e tornado inerte, apontava o bico aguçado do projéctil para o tecto, como torre de catedral gótica. A meio  do estrangulamento do cartucho, um pequeno aro metálico, uma aliança, parava a sua progressão no alargar do cartucho.

Olhando o amigo, com um sorriso, inquiriu:

- Até quando vais conservar isto?

- Até sempre – respondeu o advogado e, melancólico, prosseguiu – Isso, como sabes, é o Alfa e o Ómega da minha, guerra. O cartucho e o projéctil, são o Alfa: a dor, o sofrimento e a morte. A argola, o Ómega, o fim, o prazer gratificante, a consecução ainda que breve de um sonho…

 

 

Já tinham decorrido um ano e cinco meses desde que o Quanza, velho paquete das linhas de África, o despejara em Luanda para pouco depois marchar para o Norte numa penosa e longa viagem de reconstrução de pontes e caminhos recentemente destruídos.

Faltavam sete meses, mais coisa menos coisa. Nunca eram os vinte e quatro certos.

Estava de férias! E na capital da colónia! Chamam-lhe província, parte de Portugal, uno, indivisível e todas essas coisas que inventaram para tramar uma geração.

Do que lhe pagavam, pouco gastara para além dos cigarros, cervejas e uísques contrabandeados de Cabinda. Acumulara, por isso mesmo, algum dinheiro, parte numa conta na Metrópole – o Puto – e a maior parte, tinha-a consigo.

Era uma promessa antiga que fizera a si mesmo nas noites tenebrosas dos orfanatos por onde decorrera a sua infância e adolescência: ter umas férias sem grande preocupação com dinheiro, instalar-se bem, comer em restaurantes finos, ter um carro, ir a lugares de selecção.

De compleição atlética (era para ele um mistério como tinha ido parar a Infantaria e não a Cavalaria, Polícia Militar ou qualquer outro ramo para onde são enviados os mais avantajados) passara pelos orfanatos sem ser molestado, mas recusara sempre liderar. A sua primeira liderança notória acontecera na tropa, à frente de um pelotão, substituindo o alferes ausente. O tempo que mediara entre a saída do orfanato e a incorporação militar gastara-o num humilde trabalho de ajudante de escriturário num tribunal de província deslocando-se a Coimbra para frequências. No seu horizonte, a licenciatura em Direito permanecia intacta.

 

E ali estava ele em Luanda, de férias, instalado num bom hotel, comendo em restaurantes da Ilha e, à noite, frequentando os lugares de melhor nome. Negociara com uma garagem o aluguer de um carro vistoso, forrado a cabedal. Só tinha um senão, o consumo, mas estava em vias de conseguir abastecimento num quartel.

O seu sonho de criança, acalentado ao longo de uma adolescência de privação e quase miséria, cumpria-se. Era um pouco menos que um mês, mas realizara-o.

 

Aconteceu na manhã do sexto dia. Como habitualmente – já estabelecera algumas rotinas – desceu do quarto no primeiro andar e rumou à recepção para depositar a chave.

A recepcionista, que via pela primeira vez, olhou-o com um sorriso talvez profissional e o mundo desmoronou-se. Os olhos negros, grandes, amendoados, contrastando violentamente com o branco límpido do globo ocular, colaram-no ao chão e teve dificuldade em responder à pergunta da jovem se podia mandar iniciar a limpeza do aposento.

Tomou o pequeno-almoço eufórico. Era o que lhe faltava naquelas férias. Uma mulher assim seria a cereja a coroar o bolo. Regressou à recepção e pediu permissão desnecessária para consultar a imprensa matinal, Encantou-se de novo com a voz dela e folheou dois jornais sem reparar numa única letra. Queria vê-la fora do balcão. Obedecendo talvez a uma ordem telepática, a recepcionista abandonou o resguardo e veio ao seu encontro para retirar da mesa um cinzeiro com algumas pontas de cigarro que podia estar a incomodá-lo.

E o militar entrou em êxtase. Seios fartos, pontiagudos e alçados, cintura estreita, ancas proporcionadas, pernas torneadas… e aquele perfume subtil que ficou a envolvê-lo quando se retirou para o seu abrigo, carregando o cinzeiro!...

Saiu, procurando o ar da manhã, enquanto devolvia o sorriso que ela lhe endossava. A luz quente da manhã, inebriou-o.

Tomou café numa pastelaria próxima inventando cenários para uma conversa mais demorada com aquela mulher fascinante.

A ocasião proporcionou-se dois dias depois. A meio da tarde, com a sala da recepção vazia, elogiando-lhe os olhos, o cabelo e o recorte da boca, elogios que ela aceitou com um sorriso cândido de modéstia, convidou-a para jantar.

Alarmado com a sua ousadia, aterrado pelo silêncio dela, queria encontrar maneira de se desculpar quando ela, fuzilando-o com os olhos amendoados, a prefigurarem um sorriso que a boca completava, lhe respondeu que tinha muita pena em não poder aceitar, mas que, no dia seguinte, podia ser.

Jantaram na Ilha, ela com um vestido ousado que despertou olhares de protesto em algumas senhoras.

Resguardados do piscar intermitente do farol trocaram as primeiras intimidades e o militar convidou-a para passar a noite no seu quarto, no hotel.

Meio escandalizada, alegando que se o patrão soubesse corria com ela, demandaram outro poiso longe do seu lugar de trabalho.

Como medida de precaução, ela sugeriu que se transferisse para aquele hotel, para um quarto de casal.

Os dias voaram numa vertigem de felicidade.

 

Encostada à grade da varanda do aeroporto, viu o velho Nord-Atlas subir penosamente e virar para Norte. Guardava consigo a promessa de que ele lhe escreveria e que teria à sua cabeceira a foto que lhe dera.

 

Até regressar a Luanda, integrado na Companhia, para embarque, aerogramas e cartas fervilharam nos dois sentidos.

 

De novo no mesmo hotel que os recebera anteriormente, ele contou-lhe um projecto que amadurecera no mato: explicou-lhe pela primeira vez o que fazia na Metrópole, empolgou-se com a possibilidade de ser promovido – aqueles dois anos diziam que contavam a dobrar – e o dinheiro que tinha já devia dar para a entrada da compra de uma casa. Depois era só amealhar mais um pouco para lhe comprar a passagem para a Metrópole. Entretanto continuaria a estudar como voluntário e em dois anos acabaria o curso, abriria cartório e a vida daria um salto qualitativo.

Ela olhou-o reticente, ele jurou que estava a falar muito a sério e selaram a proposta com mais um longo serão de amor.

 

O Vera Cruz acolheu o seu batalhão, numa manhã límpida, com o sol a pratear o mar da baía e o cordame do paquete.

Encostado à amurada, o espaço entre o casco e o paredão do cais a aumentar, acenou-lhe um último adeus, ela a corresponder em bicos de pés. Quando as figuras se tornaram irreconhecíveis, abandonou a amurada e foi sentar-se no lado contrário, deserto. Angustiava-se interrogando-se se teria feito bem em aliciá-la. Afinal, naqueles breves dias de convivência, tinha-lhe proporcionado uma vida quase principesca. Estaria ela preparada para encarar a vida modesta de um ajudante de escriturário numa comarca de província a estudar pela noite fora e a acumular privações? Atabalhoadamente, procurou um cigarro e acendeu-o mirando com delongas a aliança prateada que ela introduzira no seu dedo. Retirou-a sem esforço e, com um encolher de ombros, meteu-a no bolso.

 

A recepcionista abandonou o cais de embarque, recuperou o carro que ele deixara ao seu cuidado entregar na garagem e rolou lentamente pela marginal. Flectiu para a Ilha, percorreu-a em toda a sua extensão e foi estacionar na rotunda arenosa do farol, muito próximo das pedras que as ondas lambiam com desleixo. Não, não era aquilo que ela queria da vida. Um modesto ajudante de escriturário esperançado em ser promovido e a estudar durante a noite? Não! Queria largar a recepção do hotel e entrar na vida como rainha, como naqueles dias que tinham passado juntos. Mas fora só um deslumbramento, ela soubera-o desde princípio.

Encostada ao carro, alongou a vista e conseguiu ainda vislumbrar o barco que se afastava. Devagar, retirou do dedo a aliança prateada que ele lhe oferecera, beijou-a demoradamente e num gesto longo lançou-a em direcção ao ponto negro que era o barco no horizonte.

Sentou-se ao volante. Sacudiu violentamente a cabeça, como que a afastar qualquer pensamento residual nefasto. Tinha ainda três dias de aluguer pagos. Precisava de os aproveitar bem.

Aquele alferes médico do quarto ao lado que lhe mirava descaradamente as pernas e espreitava os seus seios…

 

Covilhã, FEV 68 (revisto em JUL09)

J. Eduardo Tendeiro “Apontamentos”

 

 

 

 

 

 

 

publicado por gatobranco às 17:11 | link do post | comentar | ver comentários (4)

OBRIGADINHO

vvvvvv

 

Obrigadinho….

 

Encontrei-o há pouco tempo, melhor dizendo, foi ele que me reconheceu e chamou.

Tive grande dificuldade em reconhecer nele o atlético cabo  Simas da Companhia de caçadores especiais condecorado por feitos nas terras do norte de Angola. Alquebrado, calvo, olhos sem brilho, ventre dilatado e coxeando ostensivamente, vendo a minha dificuldade socorreu-me:

-Não me diga que estou assim tão mal, para já não reconhecer o Simas! Daquela vez, em Luanda….

Não o deixei prosseguir. Abracei-o longamente e arrastei-o para uma esplanada. Conversámos com delongas, o passado a emergir…

Despedimo-nos com a promessa de novo encontro.

Parti contente e tranquilo. O Simas trabalhava há cinco anos numa exploração agrícola,

 

 

Aos vinte e quatro anos era segurança duma discoteca, mas um dia, impondo ordem na entrada, usou de violência desmesurada e perdeu o emprego.

Foi acompanhante de um comerciante de ouro e tão bem desempenhou o seu cargo que enviou para o hospital os assaltantes que tiveram a triste ideia de lhes montar uma emboscada, um deles com fractura de coluna.

Como guarda-nocturno numa fábrica de produtos alimentares. a situação repetiu-se. O sem abrigo que quis apoderar-se de algumas latas de carne foi violentamente espancado.

Começou a ter cada vez mais dificuldade em encontrar emprego. A sua fama de violento incontrolado, afastou-o do que ele melhor sabia fazer.

Empregado numa oficina auto, ajudante de distribuidor de fruta, descarregador de peixe na doca, foram marcados por conflitos que, sucessivamente o afastaram e o lançaram numa situação de indigência que a sua magra pensão não mitigava.

Foi então que descobriu um novo talento: assaltar pessoas, espoliá-las dos seus bens.

Encapuzado, enluvado e rodeado de todos os cuidados, prosperou com aquela actividade. No círculo da especialidade, cedo se evidenciou. Os que o contestaram foram vítimas da sua violência e aprenderam que era preferível a cooperação à contestação. Inimizades e ódios cercaram-no e um dos violentados denunciou-o.

A sua captura precedida de perseguição automóvel durou quatro sangrentas horas. Barricado, utilizando técnicas de tiro que surpreenderam os captores e feriu agentes da autoridade.

O julgamento foi aguardado com curiosidade mórbida e a sala de audiências encheu-se.

O advogado de defesa, num longo libelo, recordou os feitos heróicos daquele jovem transviado: Nambuangongue, Zala, Quipedro, foram algumas das operações que lhe mereceram louvores pela sua bravura e abnegação até que, numa emboscada mal  sucedida, foi ferido numa coxa.

Meses de internamento, sucessivas intervenções cirúrgicas não evitaram que ficasse a coxear. O exército dispensou-o de todo o serviço militar e mandou-o para casa. Casa que já não tinha.

Começou então  a vender o seu talento, aquilo que lhe tinham ensinado ao longo de cinco anos: matar se necessário fosse para se defender.

O seu advogado tentou ler os louvores que lhe tinham sido concedidos pelos  actos de bravura, mas o juiz pouco sensibilizado para tal defesa,  desvalorizou também  a invocação do stress pós traumático de guerra.

Foi então que o arguido, até aí calmo e de olhos pregados no chão como se estivesse particularmente interessado nas fisgas assimétricas do soalho da sala de audiências, se levantou e, num rompante clamou:

- Ó senhor advogado! Não vê que o juiz não está interessado em nada disso? O que ele quer é enfiar-me uma porrada e ir à vidinha dele….

- Cale-se! – bramou o juiz do alto do seu poleiro – o réu deve manter-se em silêncio!

-Em silêncio o tanas! – Retrucou ele e elevando a voz prosseguiu – o que é que você sabe de guerra? Pôs lá os pés? Claro que não!... Já era velho demais para essas coisas! Enquanto eu e tantos outros demos o coiro ao manifesto, o que é que você fazia? Comia e bebia do melhor…

- Tirem-me esse marginal daqui para fora, uivou o juiz.

Os dois guardas prisionais que acompanhavam o réu aproximaram-se, um deles exibindo umas algemas.

O réu estendeu os braços como se quisesse facilitar a tarefa dos guardas.

No momento seguinte, apoiando-se no ombro do mais próximo, elevou-se, enlaçou o pescoço do outro e derrubou-o. Mas, enquanto caía, atingiu-o ainda com uma patada brutal na testa. O guarda, projectado com violência foi bater contra o estrado do suporte da mesa do juiz.

Rodando sobre si mesmo e passando por baixo do braço do guarda que o segurava, colocou-se atrás dele, retirando-lhe a arma do coldre. Segurando-o pelo pescoço e encostando-lhe o cano da arma ao  ouvido, avisou-o:

- Se te portares bem, nada te acontece. Mexe-te e levas um tiro na pinha. – Reduzindo a voz a um murmúrio, explicou – Já destravei a arma…

- Chamem reforços, alguém faça alguma coisa – clamava o juiz do alto do seu estrado.

-Não se canse ó senhor Juiz. Isto não vai durar nada. Só lhe quero dizer duas palavrinhas. – Virando o cano da arma para o guarda que tentava levantar-se, comandou – devagar, só com dois dedos, como nos filmes de polícias, tira a pistola e empurra-a para o pé de mim. Mas cuidado que estou a apontar ao teu peito e a esta distância, nem um ceguinho falhava.

Acompanhou o executar da sua ordem e, como se agradecesse, disse:

-Homem ajuizado! Agora deita-te de barriga para baixo com as mãos atrás da cabeça enquanto falo com o senhor Juiz….

- Alguém faça alguma coisa… –  repetia o apavorado juiz.

O réu, frio e sereno, deslocou-se com o seu escudo até encostar as costas a uma das paredes e retomou a palavra:

-Ó senhor juiz, se calhar vou começar por lhe dar um tiro na perna para ficar a coxear como eu. Não lhe faz diferença para o seu emprego, mas sempre se vai lembrar de que os gajos que vêm da guerra, deitados fora como trampa, ficam malucos da cabeça e mereciam ser tratados. Não deviam ser deitados fora como eu fui. Já não presto para a tropa, sou coxo… e sabe por que é que sou coxo? Porque levei um balázio na perna enquanto defendia em Angola os donos do café e do açúcar. Se calhar também lá tem qualquer coisinha.

-Cale-se que está a dar cabo da sua vida… – murmurou o advogado encarregue da sua defesa.

- Deixe lá senhor advogado. Eu sei que até se esforçou. Ele – apontou para o trémulo juiz – ele é que não deixou. Sabe que entrei aqui já condenado. Mas sabe uma coisa engraçada? Enquanto estive na cadeia descobri que não se está lá mal de todo. Depois de dar uma tareia num engraçadinho, o gajo queria… percebe?... Depois disso, descobri que a cama não é má, a comida sempre é melhor que os restos que apanhava por aí e dão-me roupa lavada, tomo banho… – virando-se para o juiz, prosseguiu – espero que me dê uns bons anos de cadeia, pode dar perpétua, não se importe que eu, se me fartar, arranjo maneira de me pirar. Sabe? Também me ensinaram evasão… é engraçado, não é? Mas já chega de paleio. Levante-se lá para lhe dar o tirito na perna.

Na sala fez-se um silêncio de morte. Afundado no cadeirão, os dedos brancos pelo esforço de apertar os braços do assento, o juiz tremia, uma súplica estampada nos olhos.

- Cagarola! Pronto, não lhe dou o tiro, mas olhe que o merecia. Acabou o espectáculo. Já disse o que queria.

Empurrando para a frente o guarda que lhe servira de escudo e vendo o outro levantar-se, disse-lhes:

- Vocês, desculpem o mau jeito, mas o sacana do juiz estava a pedi-las.

Com um gesto largo entregou a arma ao guarda e ainda para o juiz concluiu:

- Pela porrada grande que me vai dar, obrigadinho!

A coronha da arma do guarda abateu-se brutalmente sobre a sua cabeça e caiu inerte, um fio de sangue a nascer no temporal esquerdo.

 

FIM         

 (Covilhã, Maio de 2005 Relato ficcionado dedicado aos "Simas" daquela guerra)

 

vv

publicado por gatobranco às 16:58 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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