REQUIEM

 

 

 

Conhecemo-nos em Mafra franqueando as portas da EPI (Escola Prática de Infantaria) em Abril de 1959.

Aí sofremos o que, diziam, faria de nós homens.

Mais tarde, com abraços de “até sempre” fomos colocados em diversas Unidades Militares espalhadas pelo país.

Mas a dispersão não durou muito.

Em Julho de 61 reuniram-nos de novo convocados para serviço militar extraordinário e mandados apresentar no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE) de Lamego onde fizeram de nós Caçadores Especiais com destino à guerra de Angola.

Lá suportámos fadigas, sofrimentos, agruras de uma guerra que não queríamos e tu, MARQUES ALVES, carregaste o ónus de ver morrer inimigos mas também amigos.

Sereno, pouco dado a exteriorizações mas amigo fiel, foste um dos muitos que sobrevivemos.

No aconchego do teu Monte alentejano que tanto prezavas, tiveste a felicidade de, frequentemente, disfrutares a reunião da família.

 Nos nossos encontros de “depois da guerra” estiveste sempre connosco.

Nesta hora de despedida, embora distante, sou eu que num até breve te digo “Estou contigo” e peço que   supliques  por nós ao Pai que te recebeu.

Descansa em Paz.

Vinte e oito de Novembro de dois mil e dezanove.

  1. Eduardo Tendeiro
publicado por gatobranco às 16:50 | link do post | comentar